Lucarocas a Arte de Ser

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HISTÓRIAS DA MINHA HISTÓRIA

Lucarocas a Arte de Ser

 

OS MEUS PRIMEIROS VERSOS

 

Sempre fui bom leitor, e sempre que possível visitava uma biblioteca.

Em 1976 quando servia o exército na Décima Região Militar em Fortaleza – Ceará tive acesso a uma boa biblioteca, e por isso, em cada folga eu ia ocupar uma das mesas e ler algum livro. Não os levava para casa, as leituras de casa eu já tinha.

De tantas idas e vindas à biblioteca fui observado por um dos colegas, o Tadeus Gomes Memória que um dia me confessou a sua observação, e foi direto na interrogação:

- Castro (esse era o meu nome de guerra), vejo que você lê muito, você escreve alguma coisa?

Respondi que não, e ele numa paciência do tamanho da sua altura me orientou a escrever, pois afirmava ele que um bom leitor se tornaria um bom escritor.

Confesso que nunca havia pensado sobre isso, mesmo porque não me achava preparado para tal aventura, já que, na época, tinha apenas a oitava série.

Ele insistia nessa ideia, quando do bolso tirou um papel amarelado, amassado, e datilografado com um texto em linhas curtas que a memória só me deixou guardar essas frases, que depois fui saber que seriam versos:

 

Um homem chegou no bar

Colocou o dinheiro amassado

Sobre o balcão,

Uma, pediu, tomou,

Outra, pediu, bebeu

Outra, pediu, tomou

Outra,pediu

Bebeu, e caiu.

 

Intrigado com tamanha engenhosidade textual, e com total desconhecimento literário, fiquei interessado no processo de construção daquela mensagem.

Acanhado perguntei:

- O que é isso?

E ele, com a serenidade na suave voz, quase que murmurando respondeu:

- Isso é poesia.

Eu incrédulo indaguei:

- Poesia! O que é isso?

E ele, com a paciência de monge, disse:

- Poesia é a fala da alma, é o coração falando através das palavras, são as palavras ganhando sentimento nos textos, são os textos dando sonhos aos leitores, são leitores se embriagado de amor...

Num encantamento de êxtase, ainda perguntei:

- Como se faz isso?

E ele respondeu, agora com uma voz de mestre:

- Você tem que se apaixonar. Se apaixonar pela vida, pela natureza, pelas pessoas. Você tem que sentir o cheiro das flores, do mar, da terra. Você tem que perceber o vento que sopra, o céu em seus diferentes tons, as estrelas, a lua e, acima de tudo acreditar que tem um Deus que colocou toda a poesia no universo, que você só será um verdadeiro poeta se esse Deus fizer morada em seu coração, e iluminar a sua alma.

Não lembro ter ouvido mais nada de uma voz humana. Naquele instante, vozes de deuses enchiam minha alma, e o meu coração recebia luzes de inspiração, com sons de sentimentos, e com silêncios de prece.

Desse dia em diante comecei escrever as minhas poesias.

Meus primeiros poemas traziam um sentimento de amor carnal, mas fiel as emoções que sentia.

Jovem demais para conhecer regras do poemar, os meus textos tinham a cadência da naturalidade.

Lembro que os primeiros versos que escrevi diziam:

 

“Porque partes hoje chora

Saudades há de deixar

Ficará quem te adora

Quem te ama vais buscar.”

 

E foi a partir desse iluminado encontro que me entreguei ao ofício do versejar.

 

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Fortaleza, 17 de junho de 2021.

 

(85) 98897-4497

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