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 LIVROS DO LUCAROCAS

ÍNTIMO AMOR UTÓPICO
Primeira Edição: 1984

Esclarecendo

             Íntimo Amor Utópico é uma seleção de poemas que marcaram um momento de vida que se fez intimidade com o corpo, se amou com o coração e, no desejo da alma, tornou-se utopia.

            Diversificam-se os poemas que brotam da alma e que falam de um amor real, traduz a intimidade sem sentido imoral. A utopia se faz pelo desejo de crer que o amor existe e que jamais morrerá no coração de um poeta.

            A poesia fala sempre de um momento, seja do corpo, da alma ou do coração. Na poesia está a veracidade de toda a capacidade que o poeta tem de falar com o coração e sorri com os olhos.

                                                                      Lucarocas


Dedicando e Agradecendo

 A todas as mulheres que em mim tiveram

Intimidade, Amor ou Utopias.

As jovens que se fizeram puras com suficiência

para transmitir inspiração.


Sumário

                Intimidades

Intimo amor utópico            

Nudez pecadora  

Fiel afeto

Desilusão

Momento sem fim

No tempo

Ardil em devaneio

Tristeza do livre amor

Instante prazer

Do prazer ao morrer

Perturbação

Vida morta



Amores

Meu jeito de amar

Tudo por amor

Fosse a vida um momento

Amorto

Certeza de quem ama

Recompensa do tempo

Duplo destino

Ilusória caminhada

Momento inconstante

Amor de um poeta

Momento feliz 

Árduo momento

Amor infindo

Um momento só

Meu encontro com a rosa

Diferente solidão

No sofrer do tempo

Tentativa

Diz-me

Uma certeza

O beijo

Medo de amar

O  amor é isso

Medo da paixão

Certezas

Recordações de amor

Relembrando a ti

Nosso olhar

Nos seus olhos

Amor proibido

Amor aguado

Meu pensar

Corações sofridos

Eu só busco Deus

Ilusão

Infindo amor

Felicidade, sorri pra mim

Amor de cinzas

Triste manhã saudosa

Recusa de amor

Sua saudade, minha tristeza

Tempo contra tempo

Saudade do que não ficou

Lágrimas triste

Companheira lua

Decepção

Contradição de amor

Lágrima da recordação

 

Utopias

 Vão despertar

Grito de libertação

Sonho incerto

Simples sonho

Feliz despertar

Só somente só

Veras utópicas

Sonho descontente

Desejo sonhado

Pura ilusão

 

ÍNTIMO AMOR UTÓPICO

 

   Teus olhos

     Queriam me encantar

       Chegaram tão próximos

          Veio o desejo:

             Desejo de te abraçar

No abraço, as carícias.

   Senti teus lábios nos meus

     Teu corpo, junto ao meu estava

       Minha mão correu teu corpo

         Nosso amor tanto durava.

              O sexo veio à cabeça

             Prendi mais teu corpo ao meu

               Quero que não te esqueças

                     O culpado não foi eu

                    Toda carícia era pouca

                      Ali onde se fazia amor

                        Tu ficaste quase louca

                           Já não sentia a dor.

                        De dores virou prazer

                         O prazer foi aumentando

                    E agora o que fazer

                  Já estava acordando.

 

                                  (Fortaleza, 1977)

 

     NUDEZ PECADORA

 

Mira-me a nudez

Por desejos cientes

  De um amor que se fez

    Sem reflexo de mente.

      Nudez em pecado,

        Por simples sedução

          Um amor abafado

            Sem dor, só paixão.

              Foi o tempo vestido

             Pelo nosso afeto

           Que com corpos unidos

         Se fez o liberto.

       Passou o momento

      Na hora vivida.

   De um amor em relento

Uma criança nascida.

 

                            FIEL AFETO

 

     Colhi teu corpo

                         Juntei ao meu.

 Unimo-nos em desejos

    Carícias e beijos

       Nos fez despertar.

          Despertamos despidos

             E juntos unidos

                Começamos a chorar.

 

         DESILUSÃO

 

Estávamos sós

Na solidão de um quarto

Na maciez de uma cama

Simplesmente sem pensai’

Fizemos o nosso amor.

Não consegui te amar

Quando você me cobrou.

 

                       MOMENTO SEM FIM

 

Quando silencia a noite

   Que caio no sono

         O sonho me traz você.

        E nesse sonho

          Quero ter a sua presença

             Quero sentir seu corpo

                Bem perto de mim

                    Para, nas carícias,

                    Mostrar o quanto gosto de você.

Seu corpo nu

   Suga-me o prazer.

      Quero estar bem perto

         Todo dentro de você

            Para sermos um só

               Na solidão da noite.

Quando o vento longe soprar

   Levando a saudade

      Do tempo que passou

        Quero o momento não ter seu fim

           Quero sentir o seu corpo

              Dentro de mim

                 Para sermos um só.

                   Na noite sem fim.

 

                     NO TEMPO


No tempo colhi teu corpo

Em noite de muito frio

Fizemos amor com anseio

Nas claras areias do rio.

 

Paixão, ardentes beijos

Na fulgura das carícias

   O nosso amor foi desejo

A cada olhar, a malícia.

 

Delicioso era o ato

Que cometíamos amando

Não tinha nada de fato

Apenas estava sonhando.

 

                                               (Fortaleza, 1978).

 

ARDIL EM DEVANEIO

 

A luz apagou

Na esquina da rua

Você me chegou

Falando baixinho

Pedindo carinho

Mostrando-se nua.

Levou-me além

Do tão movimento

Sem presença de alguém

Carícias me deu

Perdi-me em meu eu

Naquele momento.

Corri o seu corpo

Senti seu sabor

Tateando-lhe como louco

Fui vivendo um momento

Que naquele relento

Só pensava em amor

Seu corpo fui beijando

No amor me aprofundei

Nossos corpos se amando

Unidos ficou um só

Naquele momento, sem dó,

Um barulho, acordei.

 

TRISTEZA DO LIVRE AMOR

 

O mar refletia a luz

Da lua em seu esplendor

Na praia alguém seduz

Um corpo com seu amor.

 

Desejos, carícias ardentes

As dores em seu prazer

Vagando ficaram as mentes

No amor a cometer.

 

Aproveitando a inocência

O         ato se fez mais forte

Sedução com violência...

Alguém encontrou a morte.

 

INSTANTE PRAZER

 

Dois corpos se uniram

   Em amor perfeito

     Trazendo no peito

       Grande alegria

         Mas foi só um momento

           Que juntos ao vento

              Viveram utopia

                 Por nos corpos amantes

                   Nem por um só instante

                     Amores havia.

 

 

         DO PRAZER AO MORRER

 

Na mente, mulheres mil.

No corpo, desejo frio.

Na mão, o seu desejo.

Na boca, o melhor dos beijos.

Na força, o seu prazer.

No chão, vida a morrer.

 

 

PERTURBAÇÃO

 

No momento errado

   Afagos me deste

     Com a nudez do pecado

       Teu corpo e o meu

          Viveram ilusão,

             Na noite isolada

                Maldade trazia

                   Mirando calada

                      Na alma jazia

                         Grande paixão.

Madrugada veio

    Mostrando o real

       Do afago do seio

          Com momento imoral,

             Partiste sozinha

                Sem se despedir

                   E eu cá sozinho

                      Não mais quis dormir.

 

 

 

VIDA MORTA

 

Mão,

   Corpo corria.

      Desejo,

         Beleza via.

            Carinho,

               Na dedução.

                   No corpo,

                      Correu a mão.

            A alma,

                Vaga vazia.

                    Na carne,

                       A dor ardia.

                           No vento,

                              Amor perdido.

                       No chão

                          Sonho caído.

                              Na lua,

                                 Só a saudade.

                                     No mar,

                                         A realidade.

                                 Na noite,

                                    A dor se suporta.

                                       Na areia,

                                          A vida morta.

 

Amores

 

MEU JEITO DE AMAR

 

 

Sou simples,

Gosto da sua simplicidade.

Sou alegre,

A minha alegria se faz por você

Sou triste,

Pela tristeza que lhe acolheu

Sou feio por fora,

Mas você me deixa mostrar

A beleza que tenho por dentro.

Vivo,

Porque a morte não me visitou,

Nem a você.

Choro,

Quando a lágrima

Alegra meu coração

Oro,

Porque Deus existe.

Creio em Deus,

Porque nós existimos.

Amo,

Simplesmente porque a amo.

 

 

 

TUDO POR AMOR

 

Quando você falar,

Fale baixinho

Só para eu escutar.

Quando você pensar,

Coloque-me em seus pensamentos.

Quando sonhar,

Quero fazer parte

Dos lindos sonhos seus

Quando for chorar,

Avisa-me,

Que quero chorar contigo.

Se for sofrer,

Deixa-me sofrer contigo.

Do seu sorriso

Quero fazer parte.

Reparte comigo a sua dor

Se ha felicidade,

Deixa-me compartilhar.

No seu caminhar,

Quero estar com você

A cada passo,

Adiante ou de regresso,

Deixa-me acompanhar você.

Deixa-me iluminar você,

Quando trevas houver.

Quero pensar em você

Porque a amo.

 

                               (Fortaleza, 1977)

 

 

 

FOSSE A VIDA UM MOMENTO

 

     Fosse a vida um momento, onde o pensamento não saudade fizesse nascer em nosso coração, talvez melhor seria a dor acariciada pelo nosso carinho, e dominada pela certeza de uma alegria.

     Fosse a vida um momento, onde a vida chorasse com um sorriso, e a lágrima nutrisse no coração uma flor de paz, talvez se voasse em urna nuvem, e nosso corpo repousasse suave nas carícias do desejo.

     Fosse a vida um momento, onde a ausência não existisse, e a felicidade desfilasse a passos lentos em nossa frente chamando-nos ao amor, talvez a alma não vagasse na solidão da noite.

     Fosse a vida um momento, onde a morte nos acariciasse com sua suavidade, e deixasse nosso espírito colher as flores do campo do além, e nosso corpo caísse em terra para fortificar as sementes, talvez os homens não morressem na sua amargura de acharem sempre a vida sem intuitos felizes.

     Fosse a vida um momento, onde se amasse a cada momento, talvez esse momento fosse de amor.

 

                               (Fortaleza, 1982).

 

 

                             AMORTO

 

É triste se descobrir

Que amor não se retém

E não consegue crescer

No coração de ninguém.

 

Mais triste ainda pensar

Que o amor já morreu

Foi morto tão bem pequeno

E nem tão pouco cresceu.

 

Mas a tristeza maior

   É ver o amor assim

Tentando sobreviver

Na ilusão do sem fim.

 

                      (Fortaleza, 1982).

 

 

           CERTEZA DE QUEM AMA

 

Lança-te em meus braços

  E vem encontrar carinho.

     Poe o ouvido em meu peito,

        Sente o meu coração

           Quando perto de você estou

               Vem, beija-me

                   E direi quem te ama.

 

 

RECOMPENSA DO TEMPO

 

Quando o meu olhar

Quis penetrar nos seus olhos,

Veio a recusa

O desprezo me atingiu.

Fatigado de lutar

Caminhei sem meditar.

Mas o tempo muda tudo

Ë que foi bem no futuro

Que veio me procurar.

 

DUPLO DESTINO

 

Conheci você

Na simplicidade de jovem

Virgem de pensamentos

Num mundo de paz.

Amei você na sabedoria

Partilhei da sua alegria

De tudo sendo 3apaz

Foi o tempo mensageiro

Desse lindo romance

E um pouco traiçoeiro

Machucou-nos com ‘seu lance.

A nossa separação

Mudou todo um grande amor

Fez sofrer cada coração

Nos enchendo de dor.

Da mudança que fizera

Cada um escolheu a sua meta

Você se ‘afogou em ervas

E eu me ‘tornei poeta

 

ILUSÓRIA CAMINHADA

 

 

Caminhei sobre teus passos

E distribuindo pegadas de amor

Mas hoje não sei que faço

Com a marca que ficou.

 

Trilhei em grande estrada

Com olhos fixos no além

Galgando em minha jornada

Barreiras, em busca do bem.

 

Objetivei uma vitória

Pelo caminho percorrido

Mas não encontrei a glória

Por, no caminho, estar perdido.

 

Então, meditei no coração

E triste fui perceber

Que caminhei na ilusão

De querer amar você.

 

 

MOMENTO INCONSTANTE

 

 

Na inconstância do meu pensar

Encontrei o seu olhar

Que me deixou duvidoso,

E nessa dúvida

Edifiquei meu afeto

Que fortificou-se

Pelo desejo de uma

Realização de conquista,

De desejo

Que não fez do corpo o beijo

Nem do beijo

   O    selo de um entrosamento.

Foi só um momento

Que na minha inconstância

Descobri a certeza

Do querer

E a dúvida

De ser querido,

Por um momento atrevido

Eu te querer.

 

                         (Fortaleza, 1981).

 

 

AMOR DE UM POETA

 

Amo o que de dentro de mim vem

Pela força do amor que tem

Pela pessoa que sou

No ostentar do amor

E por sempre pregar o bem.

 

Amo o que eu faço

Por carregar em meus braços

   O peso responsável

De um mundo não amável

Que se maltrata em seus passos.

 

Amo a minha alegria

Por nela ter poesia

Da beleza que eu vejo

E o meu maior desejo

É ser poeta um dia.

 

Ser poeta com sorte

Sem censura e sem corte

Para eu poder falar

E na poesia cantar

Antes da minha morte.

 

Amarei um dia a morte

Quando um dia a encontrar

E ciente que morri

Ver de longe que ouvi

Minha poesia falar.

 

 

 

        MOMENTO FELIZ

 

Sinto frio

Busco o sol para aquecer.

Na mente vem a saudade

E eu recordo você.

Tristonha a padecer

Mostrando a falsa alegria

Mesma forçada sorria,

Como a me agradecer.

Seus olhos ofuscando,

Pobre mente lembrando

Do passado a morrer.

E o tempo nos jogou

Para bem longe levou

A nossa felicidade

E na minha agonia

Passo o resto dos dias

Para viver a saudade.

 

 

ÁRDUO MOMENTO

 

Penso, paro, padeço.

Vivo, de você não esqueço.

Choro, tristonho e só,

Paro e oro. Saudades...

Essa que me acompanha,

Me acaricia em manha

Em busca da felicidade.

Pretérito. Recordo, com certo ardor.

Meu momento é triste

Sei que não mais existe,

Você meu querido amor.

 

             AMOR INFINDO

 

Quando todos choravam,

Você sorria.

Quando todos sorriam

Você permanecia sorrindo,

E esse seu riso me trouxe alegria

E essa alegria

Me trouxe você.

Você bela,

Você alegre.

Nos unimos em sentimentos

Vivemos um grande amor

Até que o destino

Nos fez separar.

Você chorou,

E sua lagrima

Gerou tristeza em mim.

E quando todos choraram,

Eu também chorei.

E quando todos sorriam,

Eu permaneci chorando

Chorando por você.

Então,

Voltamos a nos encontrar,

E o nosso abraço

Nos fez chorar.

Choramos de alegria,

E sorrindo choramos

Para não mais nos separar.

Vivemos amando

Felizes sonhando

Por nos amar.

 

 

    UM MOMENTO SÓ

 

Foi só um momento

   Que juntos passamos

     Falando de afeto

       Apenas sonhamos

         Apenas sorrindo

           Em pouco choramos.

              Você se foi

                 Esperei sua volta.

Não vi você passar...

    Será que ainda me quer?

       Eu devo esperar?

               O         tempo passou,

                Você não mais veio,

                    No meu peito o amor

Virou devaneio.

    Apenas ilusão,

        Machucou o meu ser

           E o meu coração

              Não mais quis você.

 

MEU ENCONTRO COM A ROSA

 

Veio a rosa tristemente

Perguntar por liberdade.

E eu então, fielmente,

lhe contei minha saudade.

 

Lhe falei dos meus amores

Das dores dos meus caminhos

Foi aí que vi as flores

Dar valor aos seus espinhos.

 

Nosso diálogo foi franco

Por todo o calor do dia.

Nos confessamos em prantos

Choramos de alegria.

 

Lacrimejando, deixei

A linda rosa em seu galho

De repente a reparei

Molhada por um orvalho.

 

DIFERENTE SOLIDÃO

 

Sinto-me só,

Na solidão do tempo

Na vivência do momento

Da certeza do existir.

Sinto-me só,

Na multidão que existe

No correr que insiste

Em me fazer maior.

Nessa solidão

Corro contra a saudade

Busco o desejo de não me fazer

Nessa solidão

Eu vejo na rua

A imagem do passado

De um tempo inacabado

Da certeza de um porvir

De entrar e de sair

Dessa minha solidão.

Sofro talvez

Por uma solidão

Que não é de desejo de corpo

Nem talvez de tornar louco

Com a presença de alguém

Essa solidão que dói

É a que não é só minha

É de todos que acredito

Que no meio da alegria

Estão fracos de espírito.

 

 

NO SOFRER DO TEMPO

 

Vento que veio do fim da rua

Para olhar-me em triste sofrer

Fez do tempo o sabor da lua

Levou consigo o entardecer

Trouxe a noite triste

Com ela também a saudade

Do tempo que não existe

Tal qual a minha felicidade

Madrugada que sofre comigo

Lembrança da tristeza traz

Lembro as noites de perigo

Quando livre o amor se faz

Veio o dia, raiou

Foi-se a minha alegria

Da conquista do amor

Com o raiar do novo dia.

 

                            TENTATIVA

 

No silêncio intimo dos teus olhos

Mergulhei o meu olhar

Para saber de verdade

Se eu te podia amar

Na calma da alma tua

Meditei o meu saber

Para ciente ficar

Do meu afeto o querer.

Calei no meu coração

    O desejo de vingança

Por pensar que ainda existe

Para o amor, esperança.

Morri para a madrugada

Não mais quis a boemia

Para edificar o sentido

Do amor em poesia.

Nasci para a ilusão

Vendo morrer minha sorte

Olhando o tempo que resta

Já vivo além da morte

Amando com minha paz

Vivendo sem mal fazer

Tudo fiz para ser capaz

De poder amar você.

                   (Fortaleza, 1980)

 

 

 

                       DIZ-ME

 

Diz-me porque então

Olhaste para mim assim

Se dentro em teu coração

Não há lugar para mim.

 

   O teu olhar desejoso

Chamou-me ao despertar

De um sono majestoso

Que só contigo a sonhar.

 

Deixaste-me aturdido

Com teu olhar bem profundo

E o coração envolvido

Pelos amores do mundo.

 

Se não me tens o querer

Deixa-me então sonhar

Que vagarei a rever

   O campo do bem amar.

 

 

                        UMA CERTEZA

 

Se dizes que teu amor

Morreu em tempo passado

Não temas a tua dor

Pois é caminho traçado.

 

Se um dia, por ventura,

Amares sem perceber

Com o coração ternura

Jamais pensou em sofrer.

 

Saiba, tudo porém

Não passa de um destino

De quem nasceu para o bem

Em estado celestino.

 

Não temas a vida assim

Do jeito que vêem os teus

Pois todo começo tem fim

E tudo enfim vem de Deus.

 

 

 

                      O BEIJO

 

O beijo, que boca amarga

Amarga que vida fel

O beijo que não me larga

Esse tem gosto de mel.

 

Beijo que fala alto

Que mexe e mexendo vai

Que estremece no salto

Segura a boca e não cai

 

O beijo sinceridade

Beijando sem mal fazer

Nesse beijo há a verdade

Quando me beija você.

 

                        MEDO DE AMAR

 

Se amar me desse medo

De medo ia morrer

Pois num tempo ainda cedo

Eu já amava você.

 

Medo de você teria

Se medo desse o amar

Por amar você seria

Com jeito o medo quebrar.

 

Por não temer o amor

Meu viver se fez mais forte

Não sentindo o peito em dor

Amarei você até a morte

 

                                    O AMOR É ISSO

 

O amor não se define

O mesmo não se avalia

Com ele alguém sorri

Com lágrimas de alegria.

 

O amor é Deus em si

No botão já entreaberto

É doçura de criança

Quando pequena em feto.

 

O amor é luz em trevas

No ofuscar da imensidão

E aquele aperto manso

Que machuca o coração.

 

O amor é um sorriso

Que não pode entristecer

É aquele olhar macio

Quando me olha você.

 

 

                  MEDO DA PAIXÃO

 

Ora vento longe passa

Soprando o pranto que cai

Que o desejo de mim não faça

Com que do meu sentido eu saia.

 

Permanecendo sereno

Suave estará meu coração

E assim livro-me do veneno

De desfrutar uma paixão.

 

Mesmo assim viverei bem mais feliz

Esquecerei a dor que me habita.

Lembrando as boas coisas que fiz

Do peito liberdade grita.

 

 

                        CERTEZAS

 

Beijei seu corpo

Em meus pensamentos,

Enquanto por outro

Ele foi acariciado.

Iluminei seus olhos

Com o meu olhar,

Enquanto seu brilho

Havia sido roubado.

Suguei seu seio

Com o meu pensar,

Quando já haviam

Sido tocados.

Seus lábios me sorriram

Com o sorriso tomado.

Amei você com pureza,

Quando já lhe haviam amado

Evitei, sim, de pecar

Quando tinha você pecado.

E em minha consciência

Hoje durmo sossegado.

 

                        RECORDAÇÕES DE AMOR

 

 

Te olhando chorosa

Mais bela ainda

Como antes bem menina

Quieta e manhosa

Boneca que bailava

Entre o verde matagal,

Sorridente caminhava

Com jeito de quem amava

As coisas do seu quintal.

Bela, tu já cresceste.

Eu senti, cresci também.

Muitos já foram, morreram

No tempo a dor se perdeu,

Por tanto te querer bem

Amar-te foi sofrimento

Semeei canteiro de dor

Sofri, vivi em relento

Não esqueço um só momento

   O quanto te quero amor.

 

 

                   RELEMBRANDO A TI

 

A nuvem ia no vento

No clarão da lua

No meu pensamento

    Vi a imagem tua.

Na nuvem da inocência

    O teu nome relembrando

Vivendo momento

Sentindo a ti

Em meus pensamentos

Sem poder te esquecer

Veio a noite triste

E trouxe-me a realidade

Vendo a ti que não mais existe

Me pus a viver saudade.

 

 

                     NOSSO OLHAR

 

Vejo no seu olhar

A beleza da essência pura

Do afeto que censura

    O seu olhar sobre o meu

Sinto você presente

No cristal que nele inspira

Ê doce olhar safira

Que ofusca a minha mente.

Revôo sonho passado

Quimeras são meu caminho

Fico só dentro do ninho

Se não a senti ao meu lado.

Seus olhos cantam a beleza

Que entristecem os meus

Por não ouvirem os seus

Lacrimejam de tristeza

Os olhos são sua guia

Guiando-se foi me ver

E eu por conhece-la

Nos olhos tenho alegria.

 

                        NOS SEUS OLHOS

 

Nos seus olhos

A beleza habita

Tristeza aflita

Pede perdão.

Olhar tristonho

Embala-se em sonho

No seu coração.

Machuca o afeto

No seio repleto

Renasce o amor.

Nos seus olhos singelos

Fica triste o belo...

Foi a lágrima em dor.

Lágrima feriu,

Por alguém que partiu

    O seu coração.

Nos seus olhos relata

A dor que a mata

Em solidão.

 

                  AMOR PROIBIDO

 

Você bela.

Sorrindo, chegando.

Amada, amando

Sofri calado,

Sem reclamar.

Com você ao meu lado

Não lhe podia amar.

 

 

                                   AMOR AGUADO

 

 

Tu vieste do nada,

E queria tudo.

Eu tinha tudo,

Mas não pude te ofertar.

Cativavas amor.

O meu tudo era dor,

Não pude te amar.

 

            MEU PENSAR

 

 

Lua que te banha no começo da noite

Morreu o entardecer tristonho,

Veio o vento em açoite

E levou te em isolado sonho

Te fez utópica paixão.

Traduziu a imagem de quem ama,

Submisso as coisas do coração.

Da dor, a saudade hoje reclama.

Foi o fim, ‘amor que partiu.

Na tradução do tempo a dor,

Felicidade ao tempo se uniu

Carregando também consigo o amor.

Vento, lua e saudade

Unidos no meu sofrimento

Recordando a felicidade

Hoje, mergulho em pensamentos.

 

 

            CORAÇÕES SOFRIDOS

 

No primeiro olhar, o desprezo

No olhar seguinte,

A beleza do fitar

Mas além, a conquista

De quem não sabe amar.

   O falar doçura,

No peito amargura

Da saudade a lembrar.

Nas carícias, o desdém,

   O   maltrato na ilusão

Iludindo coração

De quem queria bem.

No peito, árduas paixões,

Tristeza encontrou abrigo

E o tempo a perigo

Fez sofrer dois corações.

 

     EU SÓ BUSCO DEUS

 

Se estou só,

   Falta você.

       Se você chega,

          Sinto-me ainda só.

             Se quer ser algo meu,

                Deixa-me ficar só,

                     Que eu procuro

                         Encontrar Deus.

 

                                   ILUSÃO

 

Teus olhos são os raios

Embelezando alto mar,

Lembrando que a saudade

Mostra a beleza de amar

Alegrando corações

Saudoso por conhecer,

Afetos e emoções,

Metamorfose do ser.

Pretejando uma mente

Advindo uma tristeza,

Iludido simplesmente...

Olhando fica a beleza.

                 (Fortaleza, 1979).

 

 

                        INFINDO AMOR

 

No abraço a lembrança brotou

Nas carícias que juntos faziam

E corações às pressas batiam

No reflexo que no íntimo expulsou.

 

Nos momentos o afeto marcou

As mentes que saudades traziam

De um pretérito onde fugiam

Para longe da solidão que matou.

 

Morte, não mata assim

Quando ao mundo lança sem fim

Com coragem um grito de dor.

 

Dor que a saudade traz

Esquecer no tempo jamais

Quando no tempo se tem um amor.

 

                        FELICIDADE, SORRI PRA MIM

 

Um dia te encontrei.

Sorriste pra mim,

Felicidade.

Foi lindo o momento

Quando o vento soprou.

Sorriste com afeto

Nascia-me o amor

Sorriste feliz

Mas minha felicidade

Morreu, morreu dentro de mim.

Germinou um afeto,

Sorriste pra mim

E fostes sorrindo

Dentro do meu eu.

E eu cresci

E fiz crescer.

Fui feliz.

   O tempo foi mais forte

Do que o teu sorriso.

E tu te afastaste de mim,

Levou parte da minha alegria.

Numa curva do destino

   O tempo machucou,

Me fez viver.

   O teu sorriso

Me fez sofrer

E hoje triste, peço:

Felicidade, volta,

Sorri pra mim.

 

                        AMOR DE CINZAS

 

Foram tocados clarins

Na multidão se perdeu

Alguém que quiçá para mim

Foi um amor que morreu.

 

Serpentinas, confetes

Tragou minha alegria.

A dor no peito repete

A saudade de outro dia.

 

Nos risos e gargalhadas

   O  som ao longe ecoou

No frio da madrugada

Falecia um grande amor.

 

Cinzas na quarta-feira,

Deixou saudades de alguém.

Foi a dor então primeira

Saber por quem quero bem

 

               (Santana, do Acaraú, 1979)

 

 

 

                        TRISTE MANHA SAUDOSA

 

Tristeza e solidão

Masmorra de sofrimentos

Angustia o coração

Joga-me em relento.

 

Amargo doer tristonho

Que exalta uma saudade

Seja real ou em sonho

Busco a felicidade.

 

Não mais suporto a dor

No peito o tempo feriu

Meus encantos de amor

Ao pretérito se aderiu.

 

Foi-se como nuvem 

Que morreu sem perceber

Que o claro da manhã

Machucou o meu viver.

 

 

                        RECUSA DE AMOR

 

Você me apareceu

Seu sorriso gracioso

De encanto me acolheu

Me deixando radioso.

 

Seu olhar no meu caiu

Mas fugi sem entender...

Meu coração atingiu

E logo se foi doer.

 

Evitei, pois seu olhar

Suas palavras doçuras

Queriam me enganar

Para alimentar-me amargura.

 

E hoje vives de amores

Com outro desconhecido.

Meu coração chora em dores

Por um amor ter perdido.

 

Lembranças e saudades

Serão minhas companheiras.

Buscarei felicidades

Lá no céu com as estrelas.

 

 

 

 

 

SUA SAUDADE, MINHA TRISTEZA

 

Quieta, só, pensativa

Te vi triste a viver

Vivendo passado, lembrança

Alimentando esperança,

Vês o dia renascer.

 

A noite foi muito longa.

Pensamento longe passou.

Foi matando a saudade

Buscando a liberdade...

Que saudade do amor.

 

E hoje, vês horizonte

Cheios de felicidades.

Outro amor vem renascendo

E o dia amanhecendo

Vais vivendo de saudades

 

Triste fico, fujo logo.

Tenho saudades também.

Te deixarei ao léu,

E as estrelas do céu

Sabem de quem quero bem.

 

 

                        TEMPO CONTRA TEMPO

 

Lutei por ti um dia

Uma semana, um mês

Eu juro que não sabia

Te conquistei de uma vez

 

Foram felizes as horas

Um dia, e quem sabe um mês

Tomei decisão agora...

   O nosso amor se desfez.

 

Depois já falta fazia

Eu pensei algum momento...

Uma hora até um dia

Não fiquei mais no relento

 

E sorrindo de alegria

   O nosso amor foi refeito

Se passou mais de um dia

   O nosso amor era perfeito.

 

Mas o tempo outra vez

Me jogou na escuridão

Não durou mais nem um mês

E tudo foi pelo chão.

 

                        SAUDADE DO QUE NAO FICOU

 

Hoje sinto saudades

Daquilo que não ficou.

Relembrando nossa amizade...

Que saudades do amor

 

Lembranças de um amor

Que não tem felicidades.

Daquilo que não ficou

Eu hoje sinto saudades.

 

Ficou só a amizade

Não ficou o meu amor

Eu hoje sinto saudades

Daquilo que não ficou.

               

                          (Fortaleza, 1978).

 

 

 

            LÁGRIMA TRISTE

 

Cai tristonha e só

Lágrima que corrói

No amargo peito, coração dói

Do amor que não me tem dó.

 

Suco do amor perverso

Saudade que lacrimeja

Meu amor que assim seja

    O destino dos meus versos.

 

Versejo por ti, lágrima morta

Que me mostra uma saudade

Oriunda de uma felicidade

Pois a dor meu coração não suporta.

 

Mas, contudo, é o destino

Prometi ainda bem pequeno

Que não provaria o veneno

Da lágrima como desatino.

 

Choro hoje por tudo

Bem sei sou sofredor

Não ciente do amor

Calo-me e fico mudo.

 

                  (Fortaleza, 1978)

 

 

                        COMPANHEIRA LUA

 

Ó lua que vive no céu

Ilumina o meu amor.

Que agora está ao léu

Se corroendo de dor.

 

Banha-me de razão

Para poder distinguir

Dentro do meu coração

   O amor que há de vir.

 

Mostra-me uma estrada

Da montanha da delícia

Quero em sua escalada

Disfarçar-me de carícia.

 

Sinto-me só, ó lua

Sonhando sem perceber.

Já a reparei nua

No seu lindo proceder.

 

Tira-me deste castigo

Que prometo ser fiel

E aí eu quero abrigo

Muito perto deste céu.

 

 

            DECEPÇÃO

 

Veio a saudade,

Sofri.

Pensei em ti

Deu vontade de te ver.

Sai correndo

Para matar essa saudade.

De amores ia morrendo

De tanta felicidade,

Na ânsia de te abraçar

Nem um pouco meditei,

E quando te fui encontrar,

Com um outro a encontrei.

 

 

                        CONTRADIÇÃO DE AMOR

 

Quando amo

Não me amas.

Quando ama-me

Não te quero

Só porque tu me enganas

E sabes que sou sincero.

Sofro, mas eu insisto,

Finjo feliz eu ser

Contudo não desisto

De amar-te por querer.

 

                                   LÁGRIMA DA RECORDAÇÃO

 

 

No fim do quotidiano

Cruzei com o seu caminhar.

Enamorei uma flor...

E a você quis amar.

Saudoso sorri,

Só pra recordar.

Que o seu grande amor

Não mais há de voltar

Para mim como antes.

Sei, vou chorar.

 

 

Utopias

 

 

                              VÃ DESPERTAR

 

Na beleza da rua

Te vi nua

No teu andar,

A alegria de quem ama.

De noite na cama

Começo a sonhar.

Meu sonho é enredo

Tão lindo sem medo

No seu proceder.

Te pego em abraço,

Afogo o cansaço,

Sem te esquecer.

Não tem um momento

Que nem mesmo o vento

Te possa beijar.

No dia conscrito

Sem dor e sem grito

Estava a te amar.

Carícias repletas

De horas incertas

No desejo delícia

Foi sonho talvez

Que na noite nos fez

Um sabor de malícia.

Foi tudo em vão

E o meu coração

Se pôs a sofrer.

E do sono pesado

Com o corpo suado

Acordei sem querer.

 

 

 

 

 

                        GRITO DE LIBERTAÇÃO

 

Depois do entardecer,

No silêncio da calma noite,

Vi o vento em açoite

E lembrei da minha mãe,

O meu pai o que fazia?

Juro que não sabia

Tão distante da família

Procurei a calmaria

Nos confins da natureza.

No espírito da beleza

Fiz a Deus uma oração.

E ali, grande sertão,

Rezei ao infinito.

Do meu peito veio o grito,

Grito de libertação.

No peito tinha saudade,

Deu vontade de voltar.

E no longo do meu sonho,

Acordei meio risonho

No aconchego do meu lar.

 

 

                        SONHO INCERTO

 

Teu olhar primeiro,

Me conquistou.

Tuas palavras me iludiram

Voltei a mim.

Acordei.

Creio sim

Não te amei.

 

        FELIZ DESPERTAR

 

Choveu forte.

   Silenciou a rua

     Cantou o pássaro na gaiola

        Falando de saudade

          Sofri calado,

            Não mais sonhei.

               Foi com você ao meu lado

                 Que feliz acordei.

 

                        SIMPLES SONHO

 

Quando longe chovia

Meu ar saudoso

Trazia alegria

Deixando-me radioso.

Veio você contente

Me fez meditar...

E um pouco sorridente

Me pus a sonhar.

Sonhei com você

Em todo mundo meu

Sozinho a crescer

No simples meu eu

Cresci sorrateiro

Com você em meu sonho,

Não fui traiçoeiro

Acordei bem risonho.

 

            SÓ SOMENTE SÓ

 

 

Só solidão me traga

Machucando a dor

Que o peito afaga

Nas carícias de amor

Só dor corrói o peito

Triste ficando a viver

Medito, mas não há jeito

Eu me encontro em você.

Só lágrima, a companheira,

Aconchega o coração.

A saudade foi primeira

A visitar minha paixão.

Só saudade que vivia

No peito amargo fel

Ultrajou minha alegria

E hoje vivo ao léu.

Só vivo, morto em mim

Morto, vivo, eu sei.

Tudo foi tão ruim,

Foi um sonho, acordei.

 

 

                        VERAS UTÓPICAS

 

Na alegria da noite

Você foi chegando.

Com jeito opulento

Me cativou no momento

Que pra você fui olhando

 

Silêncio brotou.

Senti seu olhar

Pousar sobre o meu,

Fingi não ser eu

Querendo amar.

 

     O tempo passou.

Seus sonhos pululantes

Eclosão de promessas,

No tempo sem pressa

Nos tornamos amantes

 

     O vento soprou

Trazendo alegria.

Eu bem contente

Acordei de repente

Da minha utopia.

 

                        SONHO DESCONTENTE

 

 

Em noite de escuridão

Afoguei minha agonia

Maltratei meu coração.

Sonhei com o sol raiar

Embalei o meu amor,

Não existia luar

Meu peito ardia em dor

Saudade era demais

Abafou as minhas lágrimas

Me jogou na escuridão.

Acordei no meio da noite

     Vi o vento em açoite

Machucar meu coração

Foi o fim, não mais dormi

Sentindo você presente

Confesso, não resisti...

Foi um sonho descontente

 

                     DESEJO SONHADO

 

Meus olhos

Falaram aos seus

Ditando o amor

Que em meu peito cresceu.

Falou de mansinho

Pedindo carinho

Para amar você.

Você não ouviu

    O quanto clamei

E eu bem sozinho

Apenas sonhei.

 

 

      PURA ILUSÃO

 

Seu simpático sorriso

   Trouxe a beleza do dia

     E a ele submisso

       Fez gerar minha alegria.

         Encantou todo meu ser

           Elevou meus pensamentos,

              Sentindo-me não sendo eu

                Me enchi de sentimentos.

                   Senciente fui ficando

                      Comigo criei paixão,

                         E nos seus olhos olhando

                           Fui me enchendo de ilusão.



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